Além disso, conversas registradas em um aplicativo, mostraram que Jéssica foi até a casa da mãe de Diego, conforme o combinado entre os dois anteriormente.
Documentos e testemunhas constataram também que Diego comprou a lona e pediu a caminhonete emprestada. Imagens de uma câmera de segurança mostraram a caminhonete, que supostamente transportou o corpo de Jéssica, passar pela Avenida São Paulo, sentido ao local em que o corpo foi encontrado, às 9h33.
A bolsa de Jéssica foi encontrada na caixa de gordura na residência de Diego. Laudos periciais confirmaram que o homicídio aconteceu na casa da mãe de Diego, mesmo local onde foram encontradas a bicicleta da garota e as duas camisas sujas de sangue, utilizadas por Diego.
Uma testemunha ainda enfatizou que viu Jéssica na casa, conversando com Diego, até que ambos ingressaram no interior da residência, onde aconteceu o homicídio.
Por esses e outros motivos, o juiz concluiu que existe um conjunto probatório para atribuir a Diego indícios suficientes de autoria, e com isso, ser julgado pelo Tribunal do Júri.
A reportagem entrou em contato com o advogado Fernando Milani e Silva, que representa Diego, mas ele disse que não irá comentar a decisão.
Relembre o caso
Jéssica saiu de casa de bicicleta no dia 20 de abril deste ano. Ela ficou desaparecida por quatro dias e a família mobilizou a cidade em busca de informações. A população fez diversas postagens e compartilhamentos em redes sociais em busca da jovem.
A garota foi encontrada morta no dia 24 do mesmo mês, na Linha 4, zona rural de Cerejeiras. No dia seguinte, o namorado Ismael e o primo dele, Diego, foram presos temporariamente por envolvimento no crime. A mul her de Diego também chegou a ser presa, mas foi liberada por falta de provas.
Diego contou à Polícia Civil que Ismael era um namorado extremamente ciumento, e estava desconfiado da infidelidade de Jéssica. Por conta disso, o chamou para fazerem um teste de fidelidade com a garota. Depois de organizarem o plano, Diego atraiu Jéssica para o local do crime sobre a argumentação de que possuía provas de uma suposta traição d e Ismael.
Em seguida, segundo a versão de Diego, Ismael esfaqueou a namorada até a morte. Eles embalaram o corpo em uma lona e o colocaram na carroceria de uma caminhonete. Diego ficou responsável por limpar os vestígios de sangue da casa e por se livrar da bicicleta, enquanto Ismael escondeu o cadáver, a bolsa e o celular da vítima.
No mês de maio, o delegado pediu a prorrogação da prisão dos suspeitos, e a Justiça acatou o pedido, prorrogando a detenção por mais 30 dias. No inicio de junho, o celular de Jéssica foi encontrado na zona rural de Cerejeiras e entregue à polícia.
O delegado Rodrigo Spiça confirmou que o aparelho pertencia à vítima e o encaminhou para perícia.
Depois disso, Ismael e Diego foram indiciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Em julho, a advogada de Ismael, Shara Eugênio de Souza, declarou que a família de Jéssica acreditava na inocência do namorado. A mãe da adolescente confirmou a informação.
Testemunhas e réus foram ouvidas em duas audiências de instrução no mês de agosto, e depois MP-RO e defesas fizeram as alegações finais.



Eliete Marques, G1 Vilhena e Cone Sul



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