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Acadêmica jaruense é destaque em projeto de pesquisa para o SUS que estuda as causas da superlotação do Cosme e Damião

  • 31 de agosto de 2017
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O que era teoria sobre as causas da superlotação do Hospital Infantil Cosme e Damião (HICD), em Porto Velho, será comprovado por meio do projeto de pesquisa que está sendo desenvolvido por seis acadêmicos de enfermagem, inclusive alunos de iniciação científica de especialização e mestrado, sob a coordenação da enfermeira Jeanne Lúcia Gadelha, com a participação de outros sete docentes do Centro de Pesquisa em Saúde Coletiva (Cepesco) da Universidade Federal de Rondônia (Unir), na unidade de saúde estadual, referência no atendimento às crianças de 0 a 12 anos.

O estudo faz parte dos 22 projetos que estão sendo executados pelo Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PP-SUS) do Ministério da Saúde com contrapartida do governo do estado, por meio da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa de Rondônia (Fapero), responsável pelo repasse de R$ 14 mil para custeio do trabalho em campo, cujo edital foi lançado em 2016.

De acordo com a enfermeira Jeanne Gadelha, a pesquisa que acontece no período 2017/18 começou em janeiro deste ano com oficinas direcionadas aos técnicos das Secretarias de Estado (Sesau) e Municipal (Semusa) para avaliar se o atendimento à saúde da criança é realizado seguindo os princípios norteadores da Assistência Primária em Saúde (APS), denominados de atributos essenciais (acesso de primeiro contato, longitudinalidade e integralidade da atenção e coordenação do cuidado) e as diretrizes preconizadas na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), em especial o eixo que trata do acompanhamento qualificado da Caderneta de saúde da Criança.

“É um estudo avaliativo descritivo-transversal com abordagem quantitativa. Os dados são coletados em entrevistas com familiar/cuidador de crianças hospitalizadas no HICD, em registros de prontuários e da caderneta de saúde da criança”, disse a coordenadora, completando que os resultados servirão de subsídios para dois seminários/oficinas na forma de educação permanente para profissionais da APS e gestão das Secretarias de Estado da Saúde (Sesau) e Municipal (Semusa), visando qualificar a atenção à saúde da criança na primeira infância em Porto Velho.

A intenção, conforme reforçou a professora, é que os resultados sirvam para os gestores municipais reorganizarem o atendimento à primeira infância (0 a 5 anos), que é o período de maior vulnerabilidade.

A ideia também é realizar uma rodada de discussões sobre os resultados em reunião da Comissão Intergestora Regional e Saúde Madeira-Mamoré (CIR) e Comissão Intergestores Bipartite (CIB) em um seminário aberto à população no final de 2018. Os estudos comporão um relatório para ser enviado à Fapero e ao PPSUS, e disponibilizados online pelo Cepesco, bem como, divulgados em eventos científicos nacionais e internacionais e em artigos periódicos. “O resultado também mostrará para os acadêmicos o quadro que enfrentarão como profissionais ou mesmo como possíveis gestores”, citou.

Com base em dados de 2015, que apontam que quase 57 mil crianças foram atendidas no HICD, sendo 73% de baixa e média complexidades, Jeanne Gadelha explicou que isso significa teoricamente que os pais estão levando as crianças sem antes passar pelo atendimento básico em um posto de saúde ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que são de competência da gestão municipal, o que acaba refletindo na superlotação do hospital infantil, que acaba se tornando uma espécie de ambulatório.

“Nossa proposta é saber o por quê desses pais procurarem primeiro o HICD”, disse a enfermeira, destacando que para melhor controle da assistência à criança, o ideal é que os pais passem pela atenção básica (posto de saúde ou UPA), que distribui a caderneta da criança, contendo 92 páginas, onde são inseridas todas as informações sobre a criança, como idade, peso, altura, vacinas, nutrição, atendimentos médicos, entre outros, para melhor controle do SUS. Uma das infrações éticas frequentes é o preenchimento inadequado do prontuário das crianças e da caderneta de saúde, que deve ser levada pelos pais sempre que a criança necessitar dos serviços médicos.

“Espera-se que os produtos, enquanto resultados efetivos, auxiliem no crescimento científico dos alunos da graduação (bolsista de iniciação científica), da pós-graduação (mestrado) e do Cepesco. Que os resultados encontrados venham oferecer respostas aos desafios  impostos pelos indicadores de saúde da criança, especialmente no que diz respeito à mortalidade infantil”, pontuou.

Embora o resultado final dependa da análise das respostas dos pais, a acadêmica do 8º período de Enfermagem, a jaruense Rayanne Cavalcante, revelou que os dados parciais são condizentes com a teoria, revelando que os pais levam a criança sem encaminhamento ao HICD porque há dificuldade na atenção básica prestada pelos municípios, no caso, Porto Velho, começando pela falta de pediatras nos postos de saúde. Este é o caso de Chirlene Almeida, que disse ter levado o filho de 2 anos com suspeita de hérnia para o HICD porque no bairro onde mora, o Nacional, não tem pediatra. “Muitas vezes o levo para a [Policlínica] Rafael Vaz e Silva”, afirmou.

Para a diretora Antonieta Rodrigues Gama, o estudo é de grande valia para melhor compreensão dos pais e gestores municipais, embora o ordenamento do fluxo no HICD já tenha sido discutido com o Ministério Público do Estado (MPE) e o Tribunal de Contas (TCE-RO).

Ela entende as dificuldades enfrentadas pelos pais diante da inexistência de profissionais nas unidades básicas, e lamenta que as crianças acabam ficando sem históricos médicos, porque a cada atendimento no HICD é um novo prontuário ou histórico clínico. Ela lembrou que mensalmente são cinco mil crianças atendidas, das quais 73% estão na classificação de risco azul ou verde que são de atribuição dos postos ou UPAs, enquanto a vermelha e amarela, que são de urgência e emergência, são do hospital infantil.

 

Fonte: Secom – Governo de Rondônia

 
 
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